sexta-feira, 29 de maio de 2009

Da Baixada aos Eucaliptos, de Gutemberg ao Blog

Por Rafael Quadros

Num Bate-bola, numa charla com cara de mesa redonda, conectados Petrópolis e Praia de Belas, este escriba juntamente com o comparsa Haigert, fundaram a Rádio Alternativa de Futebol.

Devido aos problemas legais que envolvem a criação de uma rádio pirata e os custos financeiros empenhados para fundação de uma rádio oficial em ondas curtas ou médias, lançamos mão do veículo eletrônico gratuito e instantâneo, vulgo blog.


Um espaço democrático, onde se busca discutir, opinar e tecer emocionados testemunhos acerca dos desdobramentos de nossa paixão pela arte criada na Bretanha por antepassados que obviamente revisitaram fórmula original de astecas e chineses, mas isto é outra história.

Aqui o pano de fundo se depara sobre a Dupla Gre-Nal, duas instituições centenárias, com fãs de todas as classes sociais, de todas as faixas etárias e etnias. Duas Entidades transcendentes ao jeito de ser do pago riograndense dum povo que teima em ser brasileiro mas não deixa de lado seu apego as coisas da terra.

Ousamos criar este canal para possibilitar entretenimento, cultura, por que não, e sobretudo, desalinhavar aspectos às vezes não muito esmiuçados pela imprensa oficial sobre o futebol gaúcho, em especial a Dupla de Ouro; iremos dos clássicos eternos às vitórias apertadas, das derrotas acachapantes, dos vexames inexplicáveis, enfim, todos os liames que transformam o futebol em certas situações, maior que a própria existência.

As rusgas, a truculência, o bom-humor, por vezes a corneta, mas sempre na elegância, mantendo o respeito pois do outro lado está um irmão e cá entre nós meu amigo, das coisas menos importantes, futebol é a mais importante.

Então, te acomoda, fecha teu crioulo, liga o radinho de pilha, ceva bem o mate e vem com a gente, enveredar nos caminhos que levam a felicidade, felicidade que segundo uma freira da América Central, ao ser perguntada como a definia, assim replicou: dou uma bola aos meninos e vejo-os jogar.

Este é o espírito, sede, pois, bem-vindo.

Salve!

Os primeiros minutos

por Daniel Haigert

Como não poderia deixar de ser, meu primeiro texto nesse blog é igual aos primeiros minutos de um Gre-Nal: muito nervoso.


Não há como não ficar nervoso em um Gre-Nal – muito embora a superioridade vermelha seja latente: 141 vitórias do Inter contra 118 dos de azul.

É que Gre-Nal é um evento atípico em todos os sentidos, difícil até mesmo de explicar. Mexe com tudo e com todos, do trânsito às vestes do cachorro da vizinha.

Só para se ter ideia, Gre-Nal começa no último treino e faz lembrar as corridas do finado Senna, quando abria a última volta – “lá vem Senna, na ponta dos dedos!”, brandava Galvão Bueno, e todo mundo dirigia com ele. É que no último treino todas as peças estão no campo (suplementar) e todos (realmente todos) os cuidados devem ser redobrados para evitar uma lesão ou até mesmo um racha na equipe – "cruz credo! nem pensar!". É no último treino que se define os 11 que começam o Gre-Nal. E olho no adversário! Melhor, olho gordo no adversário! Que toda possível urucabaca recaia lá (no caso, pro lado azul).

Passado o último treino, tudo do bom e do melhor na concentração (sem putaria, se possível) para evitar ao máximo a fadiga, como diria Dr. Chapatinho; afinal, os 11 que entrarão em campo representarão milhões.

Resguardadas as peças, viram-se os holofotes para o estádio oposto, busca-se declarações provocativas, ou manifestações inocentes demais pronunciadas por algum jogador que desconhece o clássico, mas que seja capaz de ferver o vestiário adverso. Ferver é pouco. Vulcanizar! E causar verdadeiro frenesi na mídia e, consequentemente, nas ruas! Há quem queira até mesmo aplicar as normas de William Lynch, em praça pública, e pelas autoridades, do gerador da (nessa altura) ofensiva declaração!

Não se dorme direito na noite que antecede o Gre-Nal. É no silêncio da noite que o pessimismo resolve dar seus ares – “não gosto daquele lateral. É por ali que eles vão atacar, tenho certeza. Será que o professor sabe disso? Será que ele sabe que aquele nosso lado é o ponto fraco? Alguém avisou ele? Alguém pode avisar ele? Quem? E se acontecer de nós perdermos? O que eu direi na firma? O Laércio vai aparecer com aquele sorriso! Merda! Não podemos perder... Mas aquela minha zaga... aiaiai... o técnico tem que saber disso... e se perdermos por goleada? Credo! Deuzulivre!”.

Acorda-se de uma noite mal dormida já stressado. Toma-se um café da manhã que causa azia. Faz-se dieta naquele no almoço, pois a comida se transforma em verdadeiros pedaços de tijolo. Mandingas surgem – e cumpre-se absolutamente todas. Veste-se o manto sagrado. Carteira no bolso, umas cabeçudas ou Ciccarelis pré jogo para soltar o berro e acalmar os nervos e ao estádio.

E quando surge a Academia do Povo na boca do túnel... rapaz... é de arrepiar! Nessa altura, todo o Colorado que se preze já esqueceu os comentários da pré jornada, já esqueceu do último jogo, e até mesmo da taça que estiver em jogo – aliás, quando se trata de Gre-Nal, a taça que está em jogo é o que menos importa. O importante é vencer Gre-Nal. E nisso, o Colorado é excelência.

O mundo que esteve parado nas últimas 24 horas voltou a girar de novo. É a bola do Gre-Nal. Os primeiros minutos de Gre-Nal é um lapso de tempo muito nervoso.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

O BLOG

No final da fria manhã de hoje (28/05/09), em cantos opostos de Porto Alegre, fundamos a Rádio Alternativa de Futebol. Ninguém sabe, ninguém ouviu. Falta-nos os trâmites legais, burocráticos, aparelhagem, técnicas de uso e, principalmente, dinheiro para transportar nossa rádio do plano das ideias para o mundo material.

De modo muito mais prático, fácil e barato, inventamos esse glorioso e popular blog - que, vá lá, ainda não tem nada de popular, mas é verdadeiramente glorioso.
Isso porque o pano de fundo é o futebol. E, no futebol, ambos somos gloriosos. Não por nossas simplórias vidas, mas por nossos clubes Inter e Grêmio - campeões do mundo! - e que, para ter mais graça, são rivais. Eternos rivais.

Como somos amantes do futebol, e devotos de times arqui-inimigos, e co-irmãos, nada mais intigante do que nos reunirmos, publicamente, para nos degladiarmos através de apontamentos vermelhos e azuis.

Obviamente que acima do futebol, e de nosso incondicional amor pelos mantos de nossas equipes (e de tudo que eles envolvem), somos grandes amigos - o que comprova que a briga entre torcidas nada mais é do que uma reflexo de uma sociedade falida (nós temos um não sei quê de punk rock nas veias, mas isso já é outra história).

Assim, da (atualmente) inviável Rádio Alternativa de Futebol ao mundo cibernético, do bate-boca casual a exposição lógica, escrita e fundamentada, inicia-se o nosso blog.

Bicho no bolso, povo na rua, taça no ármario
é título criado por meu parceiro Quadros, e que traduz por completo a ideia desse que vos escreve, Haigert. É a internetificação pública da luta contínua entre o bem e o mal, entre o bom e o ruim, entre o vermelho e o azul.

É Gre-Nal, meu galo! E quando tem Gre-Nal, o mundo inteiro para.