quarta-feira, 28 de julho de 2010


por Daniel Haigert


Nessas horas que eu digo:
uma imagem vale mais que mil palavras.


Gabo, desde sempre, tinhas razão

por Rafael Quadros

Ao iniciar sua novela antológica pelo fim e, muito embora, o leitor sabedor do desfecho da história fixara seus olhos até a última linha de texto, Gabriel Garcia Márquez obtivera uma enorme façanha. Menor talvez que a de Dunga.

Gosto não se discute, se critica. Assoberbado pelas magnânimas conquistas que nada valem, pensou poder numa Copa do Mundo, clímax do esporte bretão, alicerçar-se em suas parcas convicções. Ledo engano.

Futebol se decide no detalhe, isto até a velhinha de Taubaté tem noção. Competitividade ao extremo se repele com talento individual que decide. Ao sonegar a impetuosidade, a rebeldia e o trato de um Ganso, Ronaldinho (mesmo em retumbante decadência) e, talvez, Adriano, o treinador cavou sua própria sepultura.

Preteridos estes por Josué, Elano e Grafite, não necessariamente nesta ordem. Poxa, para fazer turismo, contrate a CVC e parcele até o limite do Credicard, mas não invente, tu não és Benjamim Franklin, carajo!

Além de tudo, contar com a presença edificante de craques, vistos no Monumental Olímpico, por estes olhos que a terra há de comer, davam-me a segurança do insucesso líquido e certo. Isto é, Michel Bastos, vulgo Canhão da Azenha e, Felipe Melo, atleta que dispensa comentários.

Para não falar em Robinho, exímio garoto propaganda e tri-atleta de renome (corre, pedala e nada) e Kaká, recuperado sabe se lá como de lesão e com investimentos contraditórios em seita religiosa de origem duvidosa.

Destarte despedimo-nos da Copa do Mundo, tais como chegamos, mortos, conforme Garcia Márquez havia anunciado em carnavais distantes no tempo, em sua profana Macondo.

Mais do que nunca, DALE CELESTE OLÍMPICA!

Abraço, e até 2014, seja o que Ricardo Teixeira quiser!

terça-feira, 27 de julho de 2010

A volta do escriba - o drama, a melancolia e a redenção.

por Rafael Quadros


Uma ausência de tanto tempo exige uma espécie de prestação de contas, algo assim possível de reconquistar os assíduos milhares leitores de outrora. Não pelo pedido destes, mas em razão destes, destinatários finais das crônicas desta página.

Os desencontros da existência, as vicissitudes da vida, impediram ou toleram a imaginação inventiva deste escriba.

As agruras da profissão, o estafante dia a dia, e as pauladas de plantão, levaram este arauto das letras a sublimar este espaço e dele olvidar.

Tal conduta deveras perturba, mas nocauteado, ferido mas não morto, sai do ringue para uma forçada temporada no exílio.

Na clandestinidade, vivi de tudo, vi muito, ri de menos, aprendi coisas; errei a curva, perdi de mão, blefei aos montes e freqüentei os mesmos erros, SAD BUT TRUE, MY FRIEND.

Tsc, tsc, tsc...mas o assunto é futebol diria o incauto, sei, sei, mas e durante as outras 22.30 horas do dia em que o couro não está correndo?

É depressivo, não é? Apresento-nos a ofegante saga do homo sapiens rumo ao desconhecido, e nela me incluo: “ergo logo sum”.

Lá se foi o fio da meada, a parada me fez mal, bem se apercebe.

(...)

Não sou de briga, mas não agüento escutar desaforo, exclamou Juvenal Terra a Rodrigo Cambará, numa das passagens do indelével clássico O Tempo e o Vento, de Erico Veríssimo, por sinal Gremista até os tutanos e gênio Imortal das Letras.

Foi desta maneira que concebi o pedido velado do sc2006 para pelejar “hasta muerte” contra o Flamengo no Maior do Mundo, valendo o Campeonato Nacional, que a propósito eles não beijam há 31 anos.

Fila maior disto só do INSS, do SUS para procedimentos cirúrgicos e do Banrisul da Bento dia 30 de cada mês...e pedir, implorar, se ajoelhar pelo Grêmio, vitorioso somente contra o Clube Náutico Capeberibe, fiel da balança e protagonista dumas da maiores, senão da suprema virada futebolística da história recente e remota do futebol, seria uma calamidade, um INCESTO!

Resumo da ópera, atendendo pedidos, a Listrada honrou às antigas tradições e deu, ÀS AVESSAS, um imenso susto na sua Nação: SAIU GANHANDO, quando deveria perder: o dilema estava instaurado.

O co-irmão sacudia o valente Santo André e rogava, e também vibrava, pela oponente fortaleza do rival, não demorou os homens do apito operaram o Tricolor e num empurrão do Imperador da Vila Cruzeiro, igualaram o placar. Depois de então, trocaram as fraldas no Coliseu Carioca, cientes da inclemente camisa azul, preta e branca, e ponderaram: terão que entregar; não entregamos, digo que caímos de pé e, honradamente, aplaudimos o grande vice-campeonato deles.

Afora a mágoa, os EUROS, o Reizinho e seus conchavos, regozijaram com a VAGA, tamanhamente aclamada aos ventos em 2008...mas bueno, coisas da terrinha.

Neste meio tempo, ainda, o Tricolor de Tradição e Glórias Mil, ganhou o entrevero rural, em cima deles, que assoberbados pela ladainha de melhor grupo da Galáxia e arredores etc e tal, levaram dois golos em jogadas áreas, relembrando, claro que séculos-luz de diferença, a Áurea e Fantástica Era Big Phill, que segundo fontes quentes do Pentágono estaria próximo de dirigir o ...

Éééééééé, o mundo continuou o mesmo em minha parada, a imprensa roja e seus despautérios diários fomentam idéias cada vez mais alucinantes, daqui a pouco, logo ali, noticiarão que o Sargento Garcia conduzira o Zorro ao Presídio Central no mesmo camburão do Dantas. Tal manchete será gritada em profusão pelos Srs. Benficas, Boazes, Ribeiros, Vidartes, Denardin e outras pessoas mais do embróglio midiático rubro que teimam em desprezar o meu QI Forrestiano (i.e. Forrest Gump).

Conseguimos ser eliminados pelo futebol bailarino e enganador do Santos, fato consumado mais pela incompetência de nossa linha ofensiva do que pelos Poderes Sobrenaturais do time litorâneo e queridinhos da Imprensa Nacional. Sem mencionar uma mãozinha do Dunga, preterindo Victor, eleito por dois anos consecutivos melhor do Madonnão (pelo menos passearia na África do Sul), seus nervos ficaram em pandarecos pela exclusão da lista, mas enfim, não é de hoje que a Confederação Brasileira de Futebol faz o favor de amputar o Grêmio sem cuspe e anestesia.

Afora isto, o outro de porto-alegre segue aos trancos e barrancos mais doses cavalares de aleatoriedade, rumo ao jogo final da LA10. Demitiram o talismã Fossati e contrataram o pangaré guarani Celso Juarez Roth. Agora vai...

Contudo cá com meus botões tenho uma premonição de nova entregada de Ceni e seus comandados para novamente deleitar o coração de “su papa”, fazer o quê. Como diria o humorista-crônista-entrevistador-escritor e tocador de mini bongô, Jô Soares, “nada mais me deixa chocado, se minha caneca dizer bom-dia, eu digo, bom dia, caneca!”

Então assim a coisa se desenha, o Tricolor em sua batalha inglória no Madonnão, sem perspectiva alguma, uma Sulamiranda atravessada no segundo semestre que ganhará em prioridade conforme o M2010 for se perdendo rodada a rodada, se esvaindo a cada garfeada da “arbitragem” e, por fim as eleições convergindo para o futebol ficar em 5º plano.

Como percebem, em suma, não sou de devaneios nem tenciono a ver conspiração em cada edição dos classificados, gozo apenas de um pragmatismo de fazer inveja ao selecionado da Alemanha. Imagino estar cada vez mais dependente do meu analista e isto me deixa um pouco preocupado.

Ao arrepio de tudo isto, espero ser recebido de volta, pela porta de frente, espero poder manter uma assiduidade aceitável e desejo muito, mas muito mesmo contar com a opinião embasada de cada um de vocês.

É isto por ora, estou de volta, desta feita para esculhambar !

Aquele abraço