por Daniel Haigert
Como não poderia deixar de ser, meu primeiro texto nesse blog é igual aos primeiros minutos de um Gre-Nal: muito nervoso.
Não há como não ficar nervoso em um Gre-Nal – muito embora a superioridade vermelha seja latente: 141 vitórias do Inter contra 118 dos de azul.
É que Gre-Nal é um evento atípico em todos os sentidos, difícil até mesmo de explicar. Mexe com tudo e com todos, do trânsito às vestes do cachorro da vizinha.
Só para se ter ideia, Gre-Nal começa no último treino e faz lembrar as corridas do finado Senna, quando abria a última volta – “lá vem Senna, na ponta dos dedos!”, brandava Galvão Bueno, e todo mundo dirigia com ele. É que no último treino todas as peças estão no campo (suplementar) e todos (realmente todos) os cuidados devem ser redobrados para evitar uma lesão ou até mesmo um racha na equipe – "cruz credo! nem pensar!". É no último treino que se define os 11 que começam o Gre-Nal. E olho no adversário! Melhor, olho gordo no adversário! Que toda possível urucabaca recaia lá (no caso, pro lado azul).
Passado o último treino, tudo do bom e do melhor na concentração (sem putaria, se possível) para evitar ao máximo a fadiga, como diria Dr. Chapatinho; afinal, os 11 que entrarão em campo representarão milhões.
Resguardadas as peças, viram-se os holofotes para o estádio oposto, busca-se declarações provocativas, ou manifestações inocentes demais pronunciadas por algum jogador que desconhece o clássico, mas que seja capaz de ferver o vestiário adverso. Ferver é pouco. Vulcanizar! E causar verdadeiro frenesi na mídia e, consequentemente, nas ruas! Há quem queira até mesmo aplicar as normas de William Lynch, em praça pública, e pelas autoridades, do gerador da (nessa altura) ofensiva declaração!
Não se dorme direito na noite que antecede o Gre-Nal. É no silêncio da noite que o pessimismo resolve dar seus ares – “não gosto daquele lateral. É por ali que eles vão atacar, tenho certeza. Será que o professor sabe disso? Será que ele sabe que aquele nosso lado é o ponto fraco? Alguém avisou ele? Alguém pode avisar ele? Quem? E se acontecer de nós perdermos? O que eu direi na firma? O Laércio vai aparecer com aquele sorriso! Merda! Não podemos perder... Mas aquela minha zaga... aiaiai... o técnico tem que saber disso... e se perdermos por goleada? Credo! Deuzulivre!”.
Acorda-se de uma noite mal dormida já stressado. Toma-se um café da manhã que causa azia. Faz-se dieta naquele no almoço, pois a comida se transforma em verdadeiros pedaços de tijolo. Mandingas surgem – e cumpre-se absolutamente todas. Veste-se o manto sagrado. Carteira no bolso, umas cabeçudas ou Ciccarelis pré jogo para soltar o berro e acalmar os nervos e ao estádio.
E quando surge a Academia do Povo na boca do túnel... rapaz... é de arrepiar! Nessa altura, todo o Colorado que se preze já esqueceu os comentários da pré jornada, já esqueceu do último jogo, e até mesmo da taça que estiver em jogo – aliás, quando se trata de Gre-Nal, a taça que está em jogo é o que menos importa. O importante é vencer Gre-Nal. E nisso, o Colorado é excelência.
O mundo que esteve parado nas últimas 24 horas voltou a girar de novo. É a bola do Gre-Nal. Os primeiros minutos de Gre-Nal é um lapso de tempo muito nervoso.
Tá muito bom esse post. Super ágil e assim passando mesmo aquele nervoso de Gre-Nal no início. Gre-Nal mesmo quando não vale nada vale tudo!
ResponderExcluirParabéns!