por Daniel Haigert
Faço algumas ponderações realistas do que estamos vendo e vivendo ao nível futebolístico.
Com o advento da lei 9615/98, chamada Lei Pelé, os clubes passaram a ser (na prática) empresas. Nem mesmo com o advento da posterior lei 9981/00, que tornou facultativa a 'obrigatoriadade de profissionalização' dos clubes, se alterou o rumo traçado pela Lei do Rei - clube virar empresa.
O futebol, essa máquina de fazer dinheiro, é o ambiente onde mais se disseminou a lei Pelé. Os clubes passaram, aos poucos, mas não despercebidamente, a se revestir tal qual uma gigante do mundo automobilístico, ou da informática: nossos clubes deixaram de ser meros clubes, viraram empresas, e nossos jogadores deixaram de ser simples jogadores, viraram funcionários.
Como bônus, nós, torcedores, acompanhamos uma real profissionalização do negócio futebol. Ambientes mais agradáveis nos estádios, segurança, organização, publicação de lucros e dividendos, marketing latente e campanhas para angariar sócios.
Na contramão, como ônus, doeu-nos o coração: vemos promessas de craques embracarem para Europa, compra de jovens e desconhecidos jogadores, e venda de grandes ídolos, tudo sem a menor piedade da torcida.
É fato que, hoje em dia, o que interessa a um clube de futebol é fazer receita, é lucrar, e chegar (e manter-se) no topo, ser uma Microsoft do futebol.
Assim, com essa ideia, arranja-se um bom jogador de 15 anos de idade, vindo de Itatibaiba do Sul, e firma-se contrato (com os pais) pagando-se nada ou muito pouco. O jovem garoto vai para as categorias de base. Desponta. Vai (se não foi vendido antes) para o time principal. Faz três gols em um Gre-Nal, beija o escudo, chora sob declarações de amor ao clube ao fim do jogo. Emotiva a torcida, que o aclama como o novo Garrincha. Sai do estádio. No caminho, é vendido para o Chelsea. Vai pro aeroporto rumo à Europa. E a torcida... bom, fica na torcida para que um dia a nova promessa retorne para que ao menos jogue dois jogos. E o clube? Bom, o clube, ou a empresa, faz tic-tlim, e fatura milhões de euros ou doláres.
E é também com essa ideia de lucro empresarial que se traz jogadores que possam ser, no mínimo, renegociados. O atacante brasileiro Fitica, do Real Pompeu, após ficar no futebol espenhol por 6 anos, ou menos, ou até uma fisgada no músculo posterior da coxa, ou até sentir saudade de Itatibaia, rescinde seu contrato. Pede para voltar. Já conta ele com seus 32 anos. Pode ter certeza que não vem. Agora, se tiver 28... ah! há o mundo árabe para repassá-lo.
Resumo dessa lenga-lenga: o clube tem que ter lucro. Dane-se o amor ao clube. Danem-se os adoradores romancistas do futebol.
Não tenho dúvidas que a atual direção do Inter, ao lado da direção do São Paulo FC, são as duas maiores aplicadoras da lei Pelé e dessa ideia de clube empresa. Inter e São Paulo já são verdadeiras empresas. Basta analisar as vendas e as contratações. Basta ver a organização da direção - com eventuais equívocos, claro, como qualquer empresa.
O Inter, por exemplo, lançou Nilmar. Vendeu-o por uma nota. Ele deu uma volta ao mundo até se machucar. Foi dado como acabado aos 25 anos. A direção foi atrás da cara. Tratou-o. Relançou-o. Vendeu-o novamente. E por mais que tinha vendido antes. É um dos poucos casos de lucro duplo com o mesmo produto de venda.
Há poucos dias, o Inter renegou Fernandão - que saiu cedo do Goiás, foi para Europa, veio para o Inter e foi para o mundo árabe. Minha visão romancista não deixou eu analisar (no momento) com os olhos da realidade. Mas a verdade é que o que faríamos com o Fernandão, se não pagar-lhe salários? Não haveria o retorno financeiro - relembrando que ele conta com 31 anos e já andou por tudo que é canto. Fernandão é, em minha opinião, um dos três maiores jogadres da história do Colorado, mas ele teria o conforto de vir e poder perder (já ganhou tudo) e, mais, não dar o retorno financeiro esperado. Complicado.
Em compensação, o Inter repatriou Edu, do Bétis. Dizem se tratar de um bom jogador. O youtube me mostrou algumas coisas nesse sentido. Mas qual a diferença entre Edu e Fernandão? Edu é um pouco mais novo e pode ser revendido para o futebol árabe por uma boa quantia. Simples assim.
Enquanto isso, há quem aposte gerar lucro com Renato Cajá... mas isso faz parte de quem recém está entrando no mundo das empresas...
Noves fora, só acho uma pena que a frieza dos números acaba com o calor da paixão.
Com o advento da lei 9615/98, chamada Lei Pelé, os clubes passaram a ser (na prática) empresas. Nem mesmo com o advento da posterior lei 9981/00, que tornou facultativa a 'obrigatoriadade de profissionalização' dos clubes, se alterou o rumo traçado pela Lei do Rei - clube virar empresa.
O futebol, essa máquina de fazer dinheiro, é o ambiente onde mais se disseminou a lei Pelé. Os clubes passaram, aos poucos, mas não despercebidamente, a se revestir tal qual uma gigante do mundo automobilístico, ou da informática: nossos clubes deixaram de ser meros clubes, viraram empresas, e nossos jogadores deixaram de ser simples jogadores, viraram funcionários.
Como bônus, nós, torcedores, acompanhamos uma real profissionalização do negócio futebol. Ambientes mais agradáveis nos estádios, segurança, organização, publicação de lucros e dividendos, marketing latente e campanhas para angariar sócios.
Na contramão, como ônus, doeu-nos o coração: vemos promessas de craques embracarem para Europa, compra de jovens e desconhecidos jogadores, e venda de grandes ídolos, tudo sem a menor piedade da torcida.
É fato que, hoje em dia, o que interessa a um clube de futebol é fazer receita, é lucrar, e chegar (e manter-se) no topo, ser uma Microsoft do futebol.
Assim, com essa ideia, arranja-se um bom jogador de 15 anos de idade, vindo de Itatibaiba do Sul, e firma-se contrato (com os pais) pagando-se nada ou muito pouco. O jovem garoto vai para as categorias de base. Desponta. Vai (se não foi vendido antes) para o time principal. Faz três gols em um Gre-Nal, beija o escudo, chora sob declarações de amor ao clube ao fim do jogo. Emotiva a torcida, que o aclama como o novo Garrincha. Sai do estádio. No caminho, é vendido para o Chelsea. Vai pro aeroporto rumo à Europa. E a torcida... bom, fica na torcida para que um dia a nova promessa retorne para que ao menos jogue dois jogos. E o clube? Bom, o clube, ou a empresa, faz tic-tlim, e fatura milhões de euros ou doláres.
E é também com essa ideia de lucro empresarial que se traz jogadores que possam ser, no mínimo, renegociados. O atacante brasileiro Fitica, do Real Pompeu, após ficar no futebol espenhol por 6 anos, ou menos, ou até uma fisgada no músculo posterior da coxa, ou até sentir saudade de Itatibaia, rescinde seu contrato. Pede para voltar. Já conta ele com seus 32 anos. Pode ter certeza que não vem. Agora, se tiver 28... ah! há o mundo árabe para repassá-lo.
Resumo dessa lenga-lenga: o clube tem que ter lucro. Dane-se o amor ao clube. Danem-se os adoradores romancistas do futebol.
Não tenho dúvidas que a atual direção do Inter, ao lado da direção do São Paulo FC, são as duas maiores aplicadoras da lei Pelé e dessa ideia de clube empresa. Inter e São Paulo já são verdadeiras empresas. Basta analisar as vendas e as contratações. Basta ver a organização da direção - com eventuais equívocos, claro, como qualquer empresa.
O Inter, por exemplo, lançou Nilmar. Vendeu-o por uma nota. Ele deu uma volta ao mundo até se machucar. Foi dado como acabado aos 25 anos. A direção foi atrás da cara. Tratou-o. Relançou-o. Vendeu-o novamente. E por mais que tinha vendido antes. É um dos poucos casos de lucro duplo com o mesmo produto de venda.
Há poucos dias, o Inter renegou Fernandão - que saiu cedo do Goiás, foi para Europa, veio para o Inter e foi para o mundo árabe. Minha visão romancista não deixou eu analisar (no momento) com os olhos da realidade. Mas a verdade é que o que faríamos com o Fernandão, se não pagar-lhe salários? Não haveria o retorno financeiro - relembrando que ele conta com 31 anos e já andou por tudo que é canto. Fernandão é, em minha opinião, um dos três maiores jogadres da história do Colorado, mas ele teria o conforto de vir e poder perder (já ganhou tudo) e, mais, não dar o retorno financeiro esperado. Complicado.
Em compensação, o Inter repatriou Edu, do Bétis. Dizem se tratar de um bom jogador. O youtube me mostrou algumas coisas nesse sentido. Mas qual a diferença entre Edu e Fernandão? Edu é um pouco mais novo e pode ser revendido para o futebol árabe por uma boa quantia. Simples assim.
Enquanto isso, há quem aposte gerar lucro com Renato Cajá... mas isso faz parte de quem recém está entrando no mundo das empresas...
Noves fora, só acho uma pena que a frieza dos números acaba com o calor da paixão.
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