por Daniel Haigert
Algumas coisas na vida ficam marcadas pelos detalhes.
Lembro, por exemplo, de uma propaganda de carro que - com exceção do meu amigo Pedro, que comprou o automóvel - ninguém lembra qual o modelo e a marca; mas, garanto, todo mundo lembra da musiquinha que começava com "não tem cara de tiozão..." e lá se ia pelo lálálá. Era só um detalhe, mas a musiquinha pegou mais do que o nome do carro - que, como disse, ninguém lembra qual é.
Lembro também de uma partida homérica que participei na (única) quadra central do Colégio Menino Deus. Meu aguerrido time só tinha mesmo vontade; de resto, era um deusnosacuda. Do outro lado estava o melhor time do campeonato interno. O Rodrigão, que pelo apelido vocês imaginam o tamanho que tinha, era o zagueiro. Muito embora usasse mais o corpanzil para afastar os esqueléticos atletas do meu time (protótipo no qual, na época, eu me encaixava), o tal do Rodrigão jogava bem, com excelência no quesito misto entre técnica e força. Mas não é que, certa altura do jogo, a bola quicou na minha frente, perto da nossa área, e eu dei uma bica desesperada nela. A bola pegou altura, bateu no chão e o Rodrigão veio de lá, na confiança, na categoria, peito estufado e vuuupt! furou de um jeito milagroso. A bola deu mais um quique e caiu no pé do Fernando, que - ninguém sabe como até hoje - chutou e marcou. Foi no detalhe que conseguimos aquele gol. No erro do Rodrigão. Obviamente que não adiantou de nada o gol do meu time, pois a derrota era algo já consolidado no placar. Mas que comemoramos um tento, comemoramos.
Também foi no detalhe que o Inter ganhou o título Mundial de 2006. Foi na precisa escolha do Iarley - ou tocava à direita, para o garoto Luiz Adriano, ou tocava à esquerda, para Adriano Gabirú. Tocou pro Gabirú, que com um toque magistral sobre Valdéz, correu para os braços da torcida. E ninguém lembra que Gabirú entrou no lugar de Fernandão - detalhe, simples detalhe.
E fora esses detalhes da partida - a subsituição e o gol do Gabirú - o Inter campeão de 2006 tinha, em si, dois preciosos detalhes: a confiança de Fernando Carvalho e a liderança de Fernandão. Carvalho era a voz da torcida inflamando de esperança e confiança os jogadores, e Fernandão era a voz do vestiário do Inter. A ligação entre eles era a ligação direta entre torcida e jogadores, entre o amor e a razão. Foi por esse detalhe que o Inter se tornou campeão.
E agora, nesses dias nipônicos, vem a notícia de que Fernandão rescindiu com o Al Gharafa, e que o Inter tem a prioridade. Minhas previsões (vide texto meu que há nesse blog) começam a ganhar forma - Nilmar se foi e Fernadão virá. Não tenho dúvidas.
Formar-se-á novamente a liga.
Quanto ao salário do capitão, vos digo: isso é mero detalhe.
Lembro, por exemplo, de uma propaganda de carro que - com exceção do meu amigo Pedro, que comprou o automóvel - ninguém lembra qual o modelo e a marca; mas, garanto, todo mundo lembra da musiquinha que começava com "não tem cara de tiozão..." e lá se ia pelo lálálá. Era só um detalhe, mas a musiquinha pegou mais do que o nome do carro - que, como disse, ninguém lembra qual é.
Lembro também de uma partida homérica que participei na (única) quadra central do Colégio Menino Deus. Meu aguerrido time só tinha mesmo vontade; de resto, era um deusnosacuda. Do outro lado estava o melhor time do campeonato interno. O Rodrigão, que pelo apelido vocês imaginam o tamanho que tinha, era o zagueiro. Muito embora usasse mais o corpanzil para afastar os esqueléticos atletas do meu time (protótipo no qual, na época, eu me encaixava), o tal do Rodrigão jogava bem, com excelência no quesito misto entre técnica e força. Mas não é que, certa altura do jogo, a bola quicou na minha frente, perto da nossa área, e eu dei uma bica desesperada nela. A bola pegou altura, bateu no chão e o Rodrigão veio de lá, na confiança, na categoria, peito estufado e vuuupt! furou de um jeito milagroso. A bola deu mais um quique e caiu no pé do Fernando, que - ninguém sabe como até hoje - chutou e marcou. Foi no detalhe que conseguimos aquele gol. No erro do Rodrigão. Obviamente que não adiantou de nada o gol do meu time, pois a derrota era algo já consolidado no placar. Mas que comemoramos um tento, comemoramos.
Também foi no detalhe que o Inter ganhou o título Mundial de 2006. Foi na precisa escolha do Iarley - ou tocava à direita, para o garoto Luiz Adriano, ou tocava à esquerda, para Adriano Gabirú. Tocou pro Gabirú, que com um toque magistral sobre Valdéz, correu para os braços da torcida. E ninguém lembra que Gabirú entrou no lugar de Fernandão - detalhe, simples detalhe.
E fora esses detalhes da partida - a subsituição e o gol do Gabirú - o Inter campeão de 2006 tinha, em si, dois preciosos detalhes: a confiança de Fernando Carvalho e a liderança de Fernandão. Carvalho era a voz da torcida inflamando de esperança e confiança os jogadores, e Fernandão era a voz do vestiário do Inter. A ligação entre eles era a ligação direta entre torcida e jogadores, entre o amor e a razão. Foi por esse detalhe que o Inter se tornou campeão.
E agora, nesses dias nipônicos, vem a notícia de que Fernandão rescindiu com o Al Gharafa, e que o Inter tem a prioridade. Minhas previsões (vide texto meu que há nesse blog) começam a ganhar forma - Nilmar se foi e Fernadão virá. Não tenho dúvidas.
Formar-se-á novamente a liga.
Quanto ao salário do capitão, vos digo: isso é mero detalhe.
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