sábado, 13 de junho de 2009

MARASMO, PESCA & CIA E O GÊNIO

Por Rafael Quadros
(em 10/06/09)

Amolado pelo incontinenti bocejo que me provoca o scratch “nike-ricardoteixeira-bandodemercenário-canarinho", me conduzi para as bandas da zona sul do Estado visando enaltecer mais um encerramento da produção agrícola do genitor de meu insofismável colega blogueiro.

Exalando ainda uma inhaca salutar de 2 ou 9 cordeiros os quais digeri com sanha Obelixiana, me pego sem muita inspiração para tecer comentários acerca do resultado obtido pela Seleção do tapa-buraco Dunga para a Copa de 2010.

Lamentando também a ineficácia de meu caniço munido de uma graxa que creio eu não tenha encantado o apurado paladar dos seres lacustres, confesso estar à beira da barragem no instante do famigerado jogo, daí se percebe o relevante interesse que nutria pelo embate.

Claro que fiquei um pouco abalado pelo resultado, perdoe-me Barbosa (a culpa não foi sua), eis que de conhecimento geral minha empatia com a Celeste Olímpica de tradição e glórias mil, de Ghiggia a Obdulio Varela, de Francescoli a Recoba, de Spencer a Ancheta, de De Leon a Mazurkievz.

Pois bem, no aguardo da quarta, 17, pronto para presenciar o Monumental Olímpico a pulsar, deixo um poema de autoria de Carlos Drummond de Andrade, Imortal, claro, tal qual o Grêmio de minha paixão.

Apreciem sem moderação!

Salve!

JOSÉ
(de Carlos Drummond de Andrade)

E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?

E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

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