por Daniel Haigert
Admito que me excedi.
Minha beligerância contra o Professor Tite vem sendo demasiada. Admito.
Na cegueira de minha ira, cheguei até a culpá-lo pela proliferação da gripe A...
Fui longe demais. Fustiguei o nosso gerente.
O Gipsy King do Beira-Rio não merece tantos açoites.
A verdade é que o vestiário fugiu-lhe de alçada.
E eu, talvez em razão da inocência provocada pelo amor ao clube e ao futebol, perdi a razão. Fechei os olhos para a possibilidade de me desiludir com o plantel colorado; com a qualidade, ou melhor, com a integridade dos jogadores do Inter. Não quis admitir que poderia, sim, haver um racha no vestiário rubro. Algo mais intrínseco, interno...
Pois não é que era lá, nas visceras do grupo vermelho do Beira-Rio, que a coisa desandava...
Minha mea culpa cabe ao ponto que veio à tona, após a derrota e a atuação ridícula de sábado a tarde na Cidade Maravilhosa, diante do caquético BotafogoBotafogocampeãodesde milnovecentosedez, o brado dado pelo emérito presidente Fernando Carvalho: Chega! disse ele, em alto e bom tom. O Chega que todos os colorados queriam.
Eu, nesse momento, já pesquisava quem seria o novo treinador. Mas o Chega - como fui tolo! - ecoava não só aos ouvintes da rádio. O Chega de Fernando Carvalho foi disseminado do Rio de Janeiro a Porto Alegre, e retumbou nos corredores do Gigante da Beira do Rio. Acordou os pombos, levantou os quero-queros. Colocou na esteira D´Alessandro e, com o indicativo em riste, mandou um "olha guri!" a todos os demais da equipe vermelha.
Grande Fernando Carvalho! Mas vale o puxão de orelha: demorou, hein, o Baptista!
Em suma, Tite perdeu o comando (o que não tira sua culpa) e o vestiário deve(ria) estar um pandemônio. Uma mistura de eu sou mais eu que todos vocês juntos. Ao que tudo indica, com rusga em espanhol.
E se valer (parte) da piada do meu amigo Fraquelli, o castelhano estava em cima do ego dele - só espero que não se enforque...
Nenhum comentário:
Postar um comentário