segunda-feira, 5 de outubro de 2009

JÁ VAI TARDE!!!

por Daniel Haigert

Passados os tempos de festejos tradicionalistas, e de trabalho redobrado, retorno, hoje triunfante, ao blog Bicho no Bolso.

Triunfante porque o jornalista Sérgio Couto, o Serginho, informou às 02 da manhã de hoje, que Tite não é mais o técnico do Inter.

Já vai tarde, Tite!

Aliás, não deveria nem ter vindo!

O Inter é grande demais para um técnico com estilo tão pequeno. E explico: o estilo de jogar implantado pelo Tite é completamente fora dos padrões históricos do Colorado. Notoriamente, o futebol da equipe do Tite é medroso, é "apequenado". Bom para ser aplicado no Caxias, quando vem jogar em Porto Alegre, mas não no Inter, em pleno Beira-Rio, como cansei de ver nesse tortuoso ano do centenário.

Talvez tenha algum dedo do Fernando Carvalho na concepção do esquema, tendo como base a sua notória devoção a volantes, corroborada na declaração prestada no filme "Nada vai nos separar", mas nem isso salva Tite.

Isso porque restou notório, escancarado, que Tite não manda mais no vestiário. Não há sequer motivação dos jogadores. D´Alessandro, o exemplo mais claro disso, chega a ser deboche puro, ainda mais quando posto no banco de reservas e ordenado a entrar aos 37 minutos de um segundo tempo em um jogo humilhante.

E essa talvez seja a melhor palavra para definir o que vem sendo o time do Inter: humilhante. Ainda mais se considerada a expensiva folha salarial, o bom plantel da equipe, e a ótima infra estrutura do clube. Mas nem assim, com tudo de bom que se possa esperar num profissional clube de futebol, Tite vingou. Sucumbiu ele ao grupo. Não os uniu, não os convenceu, não os motivou, muito embora tenha visto "nos olhos de cada um a garra, a força" e toda aquela baboseira melosa tirada de algum livro de auto-ajuda esotérico.

A verdade é que Tite já veio a contra gosto. Não só meu contra gosto, mas de muitos que estão e trabalham no Beira-Rio. Lembro que o próprio presidente Píffero relutou a trazê-lo. E lembro, também, que quando veio Tite eu busquei informação sobre suspensão de sócio - no caso, minha própria suspensão - que depois do fatídico anúncio, de cabeça fria, extingui a idéia, pois meu amor à instituição é maior que nomeação de treinador.

Tite sai do Inter após ter sepulcrado o título brasileiro, já longe de nossas pretensões, salvo milagre.

Tite sai do Inter após ter minorizado jogadores, como Kléber, o lateral que não foi ativado por oção tática; como Índio, o zagueiro que foi fuzilado por má organização defensiva; como Sorondo, meu melhor zagueiro, que foi esquecido também por falte de organização defensiva; como Bolívar, que de bom zagueiro se tornou um ínfimo lateral direito; como D´Alessandro, que de craque selecionável, passou a esquentar banco de reserva; como Taison, jovem promessa, que parece um peladeiro correndo e correndo e correndo; como Alecsandro, um bom centroavante, que joga em qualquer lugar do campo, menos na área adversa; como Guiñazú, que de baita guerreiro se tornou um solitário carrinheiro e quebrador de bola; como Magrão, que cansou da loucura titesca e foi tentar a vida na Arábia; e por aí vai.

Tite sai do Inter sem ter certeza do que fazer com o plantel que teve em mãos. Plantel que, se bobear, joga sozinho. Isso sem falar que Tite sai do Inter trocando seis por meia dúzia, sempre a partir dos 15 minutos do segundo tempo.

Ainda bem que quarta não haverá Tite na casamata. Seriam ensurdecedoras as vaias. Seria vergonhoso e insustentável. E colocaria a torcida contra a Direção.

Agora, falam em Falcão, Carpegiani, Luxemburgo, Parreira e até mesmo Leão. Com exceção do último, que certamente não fecharia o vestiário, aposto na vaga à Libertadores.

Se dependesse de mim, seria a hora do Abel. Motivador, lunático e carismático. Já sabe como funciona o Inter, e é Colorado declarado. Uniria o grupo, ganharia meia dúzia de jogos, colocaria o Inter na Libertadores, e já seria o técnico de 2010. Com ele, se eu fosse a Direção, acertaria agora.


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